No
finalzinho do inverno brasileiro, mais precisamente dia 19/09 de 1936,
nasce a sétima Maria da família Rocha. A lenda de que
o sétimo filho do mesmo sexo estaria destinado a seguir uma
trajetória muito diferente da dos outros irmãos, deixou
de ser crença para dar início a brilhante vida de Maria
Martha Rocha, a sétima filha.
Seu pai o engenheiro Álvaro Rocha e sua mãe Hansa Rocha,
criaram uma grande família de 11 filhos com uma mistura de
descendências portuguesas, francesas, dinamarquesas, húngaras.
No meio de tanta beleza se destaca Martha Rocha. Uma brasileira de
cabelos dourados e olhos azuis que desde pequena encantava e era admirada
por todos.
A infância de Martha, não foi tão glamurosa quanto
sua época de miss. Do tempo em que morava na Barra e passava
suas férias em Mar Grande, na Ilha de Itaparica, Martha gosta
de lembrar das vezes em que ficava sonhando com os ídolos do
rádio, como Gregório Barrios, dos divertidos passeios
com os amigos ( ás vezes as escondidas ) e sua irmã
Laura.
Sua vida dentro de casa era um tanto fria e distante. Vale lembrar
que naquela época a educação era rígida
e a vida em família era 100% patriarcal.
Apesar de uma educação cheia de limites, Martha tinha
noção do seu poder de sedução nato e gostava
disso. Era cortejada por todos os garotos da região. Em uma
das famosas festas no clube Cabana da Barra (SSA-BA), conhece a sua
primeira paixão: Heitor. Um homem simpático e não
muito bonito, mas que conseguiu ter o coração de Martha.
Aos 18 anos em uma incrível coincidência, conhece Guilherme
Simões, sobrinho do fundador do Jornal A Tarde. Guilherme a
convence participar do concurso de Miss Bahia. Martha acha tudo aquilo
muito engraçado e apesar de insegura decide participar do concurso.
Seu pai deixa claro que não aprova a decisão da filha.
Mesmo assim, Martha vai ao desfile e com sua beleza e carisma ganha
o concurso de Miss Bahia. Desde então a vida da baiana forte
e decidida nas suas posições começa a subir os
degraus da fama.
De Miss Bahia para Miss Brasil foi um piscar de olhos. Martha viajou
para o Rio de Janeiro com sua mãe. No Rio, Martha Rocha podia
tudo. Era a cidade dos seus sonhos, achava que lá iria começar
a ser livre, e realmente começou.
Martha Rocha foi consagrada Miss Brasil por unanimidade. Uma brasileira
loira de olhos azuis representava o nosso país. Uma contradição?
Talvez, mas até hoje Martha Rocha é o perfil do que
há de beleza feminina.
Em julho de 1954, ela chega aos EUA. Com 18 anos, no fervilhar da
juventude Martha Rocha concorre ao título de Miss Universo.
Desta vez, contava com um enxoval oferecido pelas melhores boutiques
paulistas. Todos queriam vestir a nossa miss. Sua mãe sempre
estava presente nas viagens. Apesar de não estar nos eventos
sociais com a filha, D. Hansa era o refúgio e a pessoa que
a apoiava em qualquer decisão.
O povo americano, idolatrava Martha Rocha e as pesquisas de opinião
pública, já a consagravam Miss Universo. Jornalistas
de importantes jornais da época como Folha de São Paulo
e O Cruzeiro acompanhavam Martha, não só por interesses
profissionais. A brasileira acariciava os olhos e maltratava os corações
dos homens.
Ficar com o segundo lugar no concurso de Miss Universo nas condições
que ela estava, não foi nada humilhante.
O povo americano festejou a vitória de Martha Rocha com tanta
euforia que nem ela mesma acreditava no que via.
Fatores sociais, políticos e até as medidas dos corpos
das candidatas, foram levantadas como possíveis boicotes do
concurso. Mas de que importava? A nossa Miss Brasil, não precisava
ser Miss Universo, para estar no coração dos brasileiros
e comprovar a sua beleza.
Martha Rocha era linda naturalmente e já tinha se tornado um
mito.
Conheceu estúdios Hollywoodianos, atores, atrizes e chegou
a ganhar 30 mil dólares para fazer uma propaganda da Gesse
Lever, uma empresa de cosméticos americana.
A sua volta para o Brasil foi comemorada de todas as formas. Na Bahia
foi recebida pelo governador da época, Régis Pacheco.
Seguiu até o Palácio da Aclamação em um
carro aberto e uma procissão a acompanhava. Milhares de pessoas
queriam receber e dar carinho para a Miss Brasil.
Era a pessoa mais requisitada em todos os eventos da cidade. Jantares,
inaugurações, festas, em qualquer lugar Martha Rocha
marcava presença. Até a penitenciária Frei Caneca,
Martha visitou.
A Miss ganhou a atenção do povo para Juscelino Kubitschek
em uma varanda de hotel. Ela era a pessoa mais importante no cenário
brasileiro na década de 50.
Na mesma época conheceu Getúlio Vargas ( presidente
), freqüentava a casa de Kubitschek – era amiga de Sara
Kubitschek.
Mas foi em 1955 que um banqueiro português Álvaro Piano
conquistou o coração de Martha e se tornou o primeiro
marido da Miss. Um homem discreto que apoiava a profissão da
esposa, mas não gostava de estar exposto à imprensa.
Por isso o casamento foi bem discreto, em Buenos Aires, longe do assédio
dos fãs.
Antes de casar, gravou dois discos com Emilinha Borba e só
não seguiu carreira de cantora porque o seu destino era outro.
Álvaro era seu maior fã em qualquer circunstância.
Martha Rocha sempre estava à frente do seu tempo. Casou cedo,
foi morar longe da família e passou a ser dona de casa, na
Argentina. Era vizinha da família Perón, portanto, sempre
estava rodeada de pessoas importantes.
Com Álvaro teve dois filhos: Álvaro Luis e Carlos Alberto.
O seu casamento era um verdadeiro sonho. Álvaro era o parceiro
ideal e supria até a saudade do Brasil e da família.
Toda história tem um episódio de tristeza e nessa não
podia ser diferente. O mesmo destino que traçou a brilhante
trajetória da Miss Martha, tirou o banqueiro português
da sua vida.
Em uma viajem de avião de volta pra casa, Álvaro Piano
morre.
Martha Rocha com 23 anos e viúva, fica inconsolável
e apesar de receber grande apoio da família do marido, decide
voltar para o Brasil.
A Miss volta para sua terra natal e como não se pode fugir
do destino, volta também a estar presente no meio social. Um
refúgio talvez, para suprir a imensa dor do seu coração.
Em 1961, conhece Ronaldo Xavier de Lima que mais tarde viria a se
tornar o seu segundo marido. Ronaldo era um homem bonito, charmoso
e ao contrário de Álvaro gostava de festas e eventos.
O segundo casamento de Martha Rocha foi o frissom do ano. A igreja
da Candelária no Rio não podia acomodar tanta gente.
Fotógrafos, jornalistas, amigos, curiosos, todos queriam ver
a linda Miss Brasil, vestida de noiva. Foi necessário ajuda
da polícia para conter os ânimos. Martha casou feliz
e sonhava com um relacionamento duradouro. A lua-de-mel em Paris foi
um verdadeiro luxo.
Martha participou de campeonatos internacionais de cavalos ao lado
da Rainha da Inglaterra, conheceu o príncipe Charles, entre
outras celebridades.
Apesar de tanto glamour, mais uma vez, terei que contar um episódio
triste. Ronaldo se revela uma outra pessoa. Depois de 13 anos tentando
manter seu casamento, decidiu – se separar –se.
Claudia foi o grande fruto dessa relação.
Naquela época a separação entre casais ainda
não era uma coisa natural. Os três filhos ( Álvaro,
Carlos e Claudia ) foram morar com Ronaldo Xavier.
Martha Rocha sofre sua segunda decepção amorosa. Mas
como o nome dela já diz, nossa Miss é forte como pedra.
Depois disso, Martha que sempre contou com o apoio de Bebeth, Lígia
e Roberto ( amigos do Rio), continua a sua vida.
Hoje os filhos, Carlos Alberto (42), Álvaro Luis (43) e Claudia
(35) lhe dão alegrias e netos.
Portanto, nem tudo foi glamour na vida da nossa miss. Martha Rocha
enfrentou desentendimentos familiares e apertos econômicos,
que mudaram seu tipo de vida e seus valores. Nem um câncer no
seio esquerdo da nossa Miss Brasil, tirou a força dessa mulher.
E durante o tratamento da sua doença Martha Rocha desenvolve
outro dom além passarelas, desfiles e fotografias. A pintura
foi uma verdadeira terapia.
Atualmente além de seus eternos compromissos com a moda, Martha
pinta e vende seus quadros, que além de distraí-la,
é a sua fonte de renda.
A eterna Miss Brasil, nunca será esquecida pelos seus admiradores.
Martha Rocha é um mito real que faz parte da história
do povo brasileiro.
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